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by XAV - Los Alcázares / Espanha

vegetariano

Leo Tolstoy (1828-1910), Russian author and philosopher, 1926. As a fiction writer, Tolstoy is widely regarded as one of the greatest of all novelists, particularly noted for his masterpieces War and Peace and Anna Karenina. As a moral philosopher Tolstoy was notable for his ideas on non-violent resistance through works such as The Kingdom of God is Within You, which in turn influenced such twentieth-century figures as Gandhi and Martin Luther King, Jr. From An Outline of Christianity, The Story of Our Civilisation, volume 4: Christianity and Modern Thought, edited by RG Parsons and AS Peake, published by the Waverley Book Club (London, 1926). (Photo by The Print Collector/Print Collector/Getty Images)


Um dos maiores nomes da literatura mundial, Liev Tolstói, além de romancista, filósofo, humanitarista e pacifista, também chamou a atenção e conquistou muito respeito nos séculos 19 e 20 por ser um grande defensor do vegetarianismo. Levando uma vida frugal, ele se alimentava basicamente de pães, frutas e vegetais.

Sobre a carne como alimento, Tolstói a desqualificava sob qualquer aspecto, e não apenas ponderando sobre o sofrimento dos animais, mas também a supressão da capacidade espiritual humana – que deveria se voltar para a simpatia e compaixão pelos seres vivos. “Ao violar esses sentimentos, o ser humano abre as portas para a crueldade. Mas afirmando que Deus ordenou o abate dos animais, o que acima de tudo é tão somente um hábito, as pessoas perdem inteiramente o seu sentimento natural”, escreveu Tolstói em ensaio publicado no livro Recollections and Essays, lançado em 1937, 27 anos após sua morte.

Na obra, há diversos textos raros em que ele aborda suas experiências com o vegetarianismo. E se alguns deles se voltam para a introspecção e interiorização, outros consistem em retratos da comezinha hipocrisia. Exemplos são os relatos sobre o que ele testemunhava tanto nas áreas urbanas quanto rurais da Rússia tsarista.

Segundo o escritor russo, por ser onívoro, o ser humano ignora o fato de que o primeiro elemento da vida moral é a abstinência. “Não faz muito tempo que falei com um soldado aposentado. Ele ficou surpreso quando eu disse que é uma pena matar animais e reduzi-los à comida. Justificou que era a ordem natural das coisas. Falei que sentia mais pena ainda quando os animais surgiam silenciosos, como gado manso. ‘Eles vêm, coitados, confiando em ti. É muito lamentável.’ Até o final da nossa conversa, ele já estava concordando comigo”, narra.

Tolstói também relata uma experiência que teve quando decidiu visitar um matadouro em Tula, ao sul de Moscou. Naquele dia, ele convidou um amigo para acompanhá-lo. A proposta foi declinada e o homem alegou que não suportaria ver o abate dos animais. “Vale a pena observar que ele era também um desportista que caçava pássaros”, enfatiza o escritor, desvelando a contradição especista do amigo.

De acordo com o russo, em qualquer lugar, sempre há uma senhora refinada devorando a carcaça de um animal, crente de que está agindo corretamente. Ela é tão frágil que diz não ter condições de se alimentar somente de vegetais. Também é tão sensível que jamais conseguiria causar dor a si mesma ou a qualquer outro animal. Na realidade, seria incapaz até de vê-lo sofrer. E ela é fraca justamente porque foi ensinada a se alimentar daquilo que não é natural ao homem. E, ainda assim, ela não consegue evitar de causar dor aos animais porque prefere continuar comendo eles.

Para Tolstói, se alimentar de animais é uma injustiça e uma imoralidade que tem sido aceita pela humanidade durante toda a vida consciente dos seres humanos. Apesar disso, há séculos cresce o número de pessoas que não reconhecem o ato de comer carne como sendo certo. No século 19, o escritor russo percebeu que a humanidade já passava por um progresso moral lento, mas ininterrupto.

“Não se pode duvidar que o vegetarianismo tem progredido dessa forma. O progresso do movimento deve provocar especial alegria naqueles que se esforçam por trazer o verdadeiro reino de Deus à Terra. O vegetarianismo é um sinal da aspiração séria e sincera da humanidade em direção à perfeição moral”, defende Liev Tolstói em Recollections and Essays. 
Sua contribuição para o vegetarianismo foi tão significativa que desde a década de 1950 seus ensaios são usados em congressos realizados no mundo todo.
Referências:Tolstoy, Leo. Recollections and Essays. Nabu Press (2011).
IVU World Vegetarian Congress, Souvenir Book (1957).
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atocha

beleza pura

arte aplicada

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As torres de energia que existem em todas as cidades não são construções das mais bonitas. Visualmente poluidoras, as estruturas que seguram os fios de alta-tensão distribuindo a energia não seriam aprovadas por nenhum designer.

 Pensando nessa poluição visual, os arquitetos Jin Choi e Thomas Shine, ambos da Islândia, resolveram mudar a aparência dessas torres no país. A intenção é modificar as estruturas transformando-as em verdadeiras obras de arte.

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Em 2008, a dupla criou o projeto “Land of Giants” (Terra de Gigantes), que tem como objetivo dar aparência humana às torres, como se fossem pessoas segurando os cabos. “Este projeto transforma postes elétricos mundanos em estátuas de paisagem, na Islândia. Fazendo apenas pequenas alterações no design da torre de aço bem estabelecida, nós criamos uma série de torres poderosas, solenes e variáveis. Estas figuras icônicas vão se tornar monumentos da paisagem. Ver as figuras humanas se tornará uma experiência inesquecível, elevando as torres para algo mais do que um mero design funcional de necessidade”, escreveram eles no site da empresa, Choi+Shine.

As torres são, em grande parte, autossuportáveis, feitas com fundação em concreto, com a adição de cabos de sustentação, dependendo dos requisitos dos cabos de carregamento. “Essas grandes estruturas se tornam parte da paisagem, servindo às pessoas e silenciosamente transportando eletricidade pelo terreno, dia e noite, faça sol ou neve”, completa a descrição.

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bicho solto!

Zoológico de Buenos Aires fechado

O Governo da cidade de Buenos Aires anunciou a revogação da concessão privada do Zoológico de Buenos Aires, passo prévio a uma profunda transformação do terreno de 18 hectares onde funciona há 142 anos, no bairro de Palermo, um dos mais tradicionais da capital argentina. O chefe de Governo, Horacio Rodríguez Larreta, anunciou a construção de um ecoparque interativo que implicará a transferência de 1.500 animais para reservas naturais e santuários de todo o país — de elefantes africanos e rinocerontes até serpentes.

O fechamento do Zoo era uma antiga reivindicação de organizações defensoras dos direitos dos animais. De fato, 2015 foi um ano especialmente dramático: morreram um filhote de girafa, dois lobos marinhos e uma mara. As reivindicações, porém, mal avançaram em forma de projetos de lei no Legislativo da cidade. Agora foi o Executivo que decidiu resolver o assunto. “O Zoo não dá mais. Estamos convencidos de que a transformação em um ecoparque é o passo correto, em sintonia com decisões semelhantes tomadas em outras grandes cidades do mundo. Agora será um complexo interativo que promoverá a educação ambiental, com uma paulatina redução no número de animais", disse Rodríguez Larreta.

O Zoológico de Buenos Aires foi fundado em 1874 pelo presidente Domingo Faustino Sarmiento (1868-1874) no que então eram pântanos distantes do centro. Para sua construção foram projetados 52 edifícios que recriam a arquitetura da origem geográfica do animal. A ideia era emular os grandes zoológicos das cidades europeias que serviam de modelo às classes mais afluentes de uma nação independente havia menos de 60 anos. Hoje esses prédios são monumentos históricos e não é possível vendê-los nem destruí-los. Com o passar dos anos, o Zoo ficou em meio a bairros de altos edifícios, diante do prédio da Sociedade Rural Argentina (SRA) e a poucos metros do Jardim Botânico. A leste se estende o parque Tres de Febrero, o maior espaço verde da capital argentina. Em 1991, o Zoo foi privatizado e suas jaulas, modernizadas. Construiu-se um aquário, os leões foram reacomodados em fossos abertos e os ursos polares, até então encerrados em jaulas tradicionais, passaram a contar com uma piscina. No entanto, o modelo vitoriano de exibição da fauna exótica permaneceu intacto.

“O mais importante é romper com o modelo de cativeiro e de exibição”, disse Gerardo Biglia, advogado da ONG SinZoo, uma das que mais lutaram pelo fechamento do Zoo. “Um zoológico transmite uma mensagem perversa, sobretudo porque se volta para um público infantil ao qual dizemos que enjaular um ser vivo para o nosso deleite é válido. Acredito que agora vem uma mudança de modelo para a qual já estamos preparados, porque quando se diz às crianças que não é certo prender animais isso lhes parece uma obviedade”, explica Biglia.
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